Cachoeira Dourada (-18.5028, -49.4908)

  • = Em Operação
  • = Em Construção
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Cachoeira Dourada
Não
ETTERN - IPPUR
Paranaíba
Paraná
Itumbiara e Cachoeira Dourada (GO) - Araporã, Capinópolis, Canápolis e Centralina (MG)
Centro-Oeste
Goias (GO)
Minas Gerais (MG)
-18.5028
-49.4908
11/09/1997
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Centrais Elétricas Cachoeira Dourada S.A. – CDSA (Endesa Cachoeira)
Empresas Responsáveis Participação
11/09/1997
30 Anos
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2004

R$ 0,00 R$/KW
30/11/0001 - R$ 0,00
31/12/2012 - R$ 0,01
Biodinâmica Engenharia e Meio Ambiente LTDA e Escritório Técnico Lisboa da Cunha LTDA
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COLIC/DGPA/IBAMA (GO)
Deferida
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Deferida
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Deferida
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Em Operação
64 Km²
Metros
500 a 1000 MW
0 MWh/ano
415 MW médio
0 Pessoas
50 a 100 km²
Itumbiara e Cachoeira Dourada (GO), Canápolis, Centralina e Cachoeira Dourada (MG).
A Usina Hidrelétrica de Cachoeira Dourada ocupou áreas predominantemente agrícolas.
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A UHE Cachoeira Dourada localiza-se na bacia do Rio Parnaíba e a sua construção foi iniciada na década de 50 do século XX. Segundo Alves, as obras da construção de Brasília avançavam a passos largos. Previa-se que a inauguração de Brasília seria às escuras. Desta forma, com a finalidade de impedir que essa previsão se concretizasse, em 1956, o governo federal concedeu empréstimo financeiro de U$ 3.5 milhões de dólares ao governo de Goiás, possibilitando o início da edificação da usina de Cachoeira Dourada, cuja finalidade era abastecer com eletricidade a nova capital da República, os centros urbanos de Goiânia, Anápolis, dentre outros. Para o autor, a história da CELG confunde-se com a construção da usina hidrelétrica de Cachoeira Dourada e a construção de Brasília (Alves, 2005).
O seu processo de construção não ocorreu em apenas uma etapa. A sua ampliação se deu ao longo de cinco décadas, durante as quais, o processo de urbanização também passou por transformações. Tais transformações influenciaram o cotidiano dos moradores (Junqueira, 2010).
Em sua Monografia, a autora destaca que, “quanto à opinião dos entrevistados sobre as mudanças ocorridas na paisagem da área que foi inundado pelas águas durante a construção da Usina Hidrelétrica, houve divergências, pois, enquanto para alguns a beleza do lago é um fator de atração turística, para outros, o desaparecimento da cachoeira levou também ao desaparecimento de práticas de lazer e sociabilidade, além de afetar o meio ambiente” (Junqueira, 2010:36).
Com a construção da barragem, a paisagem natural de Cachoeira Dourada foi substituída pela artificial, graças à intervenção humana, pois o homem se apropria das formas da natureza, transformando-a. Para a autora, no caso das cidades de Cachoeira Dourada de Goiás e Minas Gerais, ocorreu também uma transformação da própria paisagem cultural e não apenas da natural, pois aquela área já era anteriormente ocupada por um pequeno grupo de moradores, que já interferiam na natureza para melhor atender as suas necessidades (Junqueira, 2010).
Para Junqueira, “ao observarmos a paisagem atual do território inundado percebemos que a intervenção humana transformou de maneira sistemática o ambiente e influenciou o cotidiano dos moradores. Como dito, muitas pessoas se instalaram na região com o intuito de trabalhar na construção da hidroelétrica. Conforme afirmaram alguns depoentes, muitos foram embora após o término da construção, contudo, a grande maioria permaneceu ali e a sua presença deu origem à cidade. A formação do lago despertou o interesse para os investimentos turísticos, mesmo que em pequena escala e hoje, as margens de ambas as cidades se adéquam como área de lazer para os moradores e visitante” (Junqueira, 2010:48).
No que se refere aos deslocamentos compulsórios, Berta Junqueira através da sua pesquisa, retrata que não houve deslocamento de pessoas. De acordo com dados de seu trabalho, na primeira etapa (1954), tanto em Cachoeira Dourada de Minas como de Goiás, existia apenas um pequeno vilarejo, localizado na beira do rio. Desta forma, “diferentemente do que ocorreu em Itaipu, onde cidades foram inundadas pelo lago, a Usina Hidroelétrica de Cachoeira Dourada ocupou áreas predominantemente agrícolas, isso significa de uma forma geral que o efeito social não foi tão significativo. A construção dessa usina hidroelétrica na verdade deu origem a duas novas cidades e consequentemente iniciou-se uma nova história, escrita por pessoas de diferentes partes do País que foram em busca de um novo lar, de um novo local para chamar de seu e em buscas de novas oportunidades de trabalho (...)” (Junqueira, 39:2010).
A usina foi privatizada no dia 5 de setembro de 1997, por meio de leilão público, pelo valor de R$ 820 milhões, na época em que o atual prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB), era governador de Goiás. Contudo, seis anos após o processo de privatização, em 6 de junho de 2003, em depoimento à CPI instaurada pela Assembléia Legislativa do Estado de Goiás, que apurou as irregularidades do processo de privatização da Cachoeira dourada, José Paulo loureiro afirmou que tanto a venda da usina de Cachoeira Dourada quanto o contrato de compra de energia, foram lesivas à CELG e a Goiás (Alves, 2005).



Em sua tese de doutorado, Alves aponta que além do eixo urbano e industrial de Goiânia-Anápolis-Brasília, a usina de Cachoeira Dourada também ajudou a proporcionar a dinamização do processo urbano-industrial ao longo das margens do rio Paranaíba, entre as cidades de Itumbiara e São Simão. Como consequência das obras e represas registrou-se a expulsão em massa das pequenas comunidades ribeirinhas e até mesmo dos agrupamentos indígenas, tais como os índios bororós e caiapós que habitavam a região até aquele momento. No lugar destes agrupamentos humanos, surgiram grandes fazendas de gado, novas fronteiras agrícolas, centros urbanos e, mais recentemente, a instalação de unidades agroindustriais, como por exemplo, a usina de álcool em Itumbiara, o Frigoalto em Cachoeira Alta, dentre outros empreendimentos modernos (Alves, 2005).


Alves, José (2002) Meio Ambiente: medidas para amenizar impactos ambientais na UHE Cachoeira Dourada. Cachoeira Dourada: CDSA.

Alves, Josias Manuel (2005) Processo de eletrificação em Goiás e no Distrito Federal: retrospectiva e análise dos problemas políticos e sociais na era da privatização. Tese de doutorado em Engenharia. Universidade Estadual de Campinas.

Barcellos, Marta (2010) Cachoeira Dourada 50 Anos: meio século de energia. Cachoeira Dourada: Endesa.

Junqueira, Berta Andrade (2010) Paisagem e Memória: rupturas e permanências no cotidiano dos moradores das cidades de Cachoeira Dourada de Goiás e de Minas Gerais (1960 –2009). Monografia em Geografia. Universidade Federal de Uberlândia.



http://www2.aneel.gov.br/aplicacoes/Contrato/Documentos_Aplicacao/11_97.pdf

https://www.enel.com.br/content/dam/enel-br/investidores/demonstracoesfinanceiras/cachoeiradourada/2012/EGP%20Cachoeira%20Dourada%20-%202012.pdf


http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,perillo-estuda-reverter-privatizacao-de-cachoeira-dourada,20030122p11842
  • UHE Cachoeira Dourada
    UHE Cachoeira Dourada, vista aérea. Fonte: www.2.transporte.gov.br